terça-feira, 21 de julho de 2009
A Trilogia Ébria - Parte I – Imutável e inconsequente.
Exatamente às seis horas da tarde Hideo recolheu seus pertences, desligou seu computador já amarelado devido ao desgaste e se dirigiu a saída do escritório onde trabalhava, sem nem ao menos se despedir de ninguém. Sentia repulsa só de imaginar que teria de ouvir aquelas vozes insuportáveis na próxima semana. Mas agora era o momento para esquecer tudo. As reuniões infindáveis e supérfluas, a fadiga, a constante sensação de estar perdendo momentos preciosos de sua vida, tudo ficaria para trás. Agora era a hora de confabular e bebericar com seus confrades, escudeiros da esbórnia semanal.
Eram um grupo de ébrios, boêmios, arautos da intelectualidade senil. Suas facetas se revelavam a cada copo de cerveja, mostrando o vigor e a vivacidade que inexistiam quando presos ao cinza das obrigações frívolas que exauriam quaisquer traços de felicidade. O cotidiano se fazia distante quando inebriados pelo mais puro lúpulo, cevada e malte. Acompanhando Hideo estavam Jorge, Frederico e Kleber, amigos de longa data que cultivavam interesses em comum, em especial o apreço pela degustação descompromissada dos finais de semana. Suas histórias entretinham ouvintes, que, incrédulos com tamanhas peripécias, se sentiam influenciados pelos trovadores embriagados. Por muitas vezes lembravam-se de quando que encantavam raparigas, desafiavam autoridades, matutavam sobre assuntos diversos e submetiam suas vidas ao perigo mortal. Sim, perigo mortal, caros leitores.
Não foram poucas as vezes que se viram em situações que poderiam findar suas vivências. Houve aquela em que, após duas garrafas de vodka, decidiram se dirigir ao parque de diversões que se alocava no terreno baldio no subúrbio da cidade para demonstrar suas habilidades nos carros de choque. Apesar da velocidade controlada o grupo conseguia desafiar a foice da morte, expondo seus frágeis corpos a possíveis fraturas ao deitarem nas áreas de impacto dos carros enquanto seus parceiros os guiavam freneticamente em direção a qualquer objeto em seu caminho. Quando os controladores do brinquedo percebiam o que estava a acontecer já era tarde demais. Sempre alguém acabava por rasgar algum membro de seu corpo, porém o fim da vida não os encontrava. Outra vez, depois de terem ingerido uma solução etílica que consistia de tequila, álcool de cozinha e cachaça artesanal, penderam um trator - que haviam furtado em uma fazenda nos arredores da cidade - em um barranco enlameado, deixando-o suspenso a uma altura de doze metros. Riam e bradavam, ao passo em que o veículo titubeava em direção ao chão pedregoso. No último instante saltaram para o chão, assistindo ao infortúnio do maquinário de outrem. Mas o maior perigo vivido até então se dera na noite de hoje, após a infindável semana laboriosa.
Com a percepção alterada devido ao consumo excessivo de inúmeras bebidas alcoólicas, a ideia de danificar cabos condutores de eletricidade parecia adequada a uma noite calma e tediosa como aquela. Dirigiram-se à estação central da cidade, driblaram a segurança pífia e seguiram para os geradores principais furtivamente. Apesar de seu estado calamitoso, o grupo conseguiu manter a discrição ao adentrar o perímetro da estatal. Frederico, o mais velho do bando, tomou a dianteira e encontrou um painel que julgou ser indispensável para o funcionamento da estação. De fato estava correto, visto que, ao arrombar a portinhola que protegia o equipamento e banhá-lo com cerveja quente, o mesmo gerou uma queda de energia nos arredores. Hideo, em seu ímpeto embriagado, seguiu ao cabo de luz mais próximo que encontrou e o puxou, arrebentando-o com facilidade, já que o fio escolhido possuía uma espessura irrelevante. Parte dele continuava afixada no gabinete em que se encontrava a altura do peito de Hideo, e a outra jazia a dois passos de distância. A falta de energia agora açoitava a muitos, porém para os arruaceiros aquele momento era o esplendor da excitação inconsequente e sem causa. O grupo se encontrava disperso, cada um vandalizando à sua maneira. Nem parecia o grupo que, noites atrás, se contentava com algumas garrafas de cerveja e discussões acaloradas sobre filosofia, existencialismo e culturas diversas. Após alguns instantes de arruaça solitária, se encontraram novamente no painel encharcado por cerveja. Kleber trazia em seus braços um vira-lata morto, já em estado de decomposição, fétido e asqueroso, e o jogou no chão entre os outros rapazes. Ele não conseguia disfarçar o prazer em profanar o pobre canídeo. Jorge e Frederico sentiram repulsa com a atitude de Kleber, porém Hideo compartilhou do regozijo funesto de seu comparsa.
Em uma atitude que deixaria ativistas indignados, o nipônico recolheu o corpo inanimado do cachorro e o levou até a parte do cabo que se encontrava fixa no painel inutilizável. Abriu a boca do animal e, grosseiramente, enfiou na garganta o cabo que ali pendia, enquanto buscava a outra parte para fincar no esfíncter retal do cadáver em suas mãos. Hideo gargalhava e brincava com o corpo que balançava preso em suas extremidades. Frederico e Jorge ficaram aterrorizados com as atrocidades de seu amigo, que sempre demonstrou educação impecável, mesmo quando em um estado deplorável devido à bebida. Parecia possuído por alguma entidade diabólica, porém eles sabiam que não era o caso, por desacreditarem em fantasias mundanas. Enquanto Hideo dava tapas no animal, os outros rapazes perceberam uma movimentação ao longe e ficaram em estado de alerta. Viram um vulto por entre a bruma e empalideceram, prevendo o futuro próximo, onde seriam capturados e presos por baderna e destruição de bens públicos. No entanto, suas previsões estavam foscas como a neblina, e nem se equiparavam com o que estava por vir. O japonês ignorou os avisos de seus companheiros e continuou a desrespeitar o defunto decomposto do cão, desta vez fazendo furos e rasgos na pele com seu canivete suíço. No exato momento em que Hideo fincou o objeto na garganta do cachorro, um estouro de proporções colossais o fez cair ajoelhado no chão, incapaz de gritar ou de esboçar qualquer reação, como por exemplo, largar da lâmina em que segurava. A energia havia voltado na região, graças à conexão canina feita pelo bêbado. Seu azar foi estar em contato com o corpo condutor no momento em que a eletricidade retornou. Os olhos cerrados do oriental estavam esbugalhados, o globo ocular adquiriu tonalidades rúbeas e seu corpo se contorceu de modo avassalador. Faíscas reluziam o ambiente e fumaça saía por todos os poros de Hideo. Estava carbonizando na frente de seus amigos, impotentes perante a terrível situação. O show de horror findou quando os ébrios restantes viram uma caixa de madeira voando por cima de suas cabeças e acertando o que antes era um vira-lata. O cabo se soltou e a energia não teve mais por onde ser conduzida. Tanto o cão quando o humano estatelaram no chão com um baque surdo. Não havia o que fazer, não havia quem salvar. Hideo estava morto, carbonizado em frente aos seus amigos.
Três guardas noturnos chegaram ao local da tragédia e imediatamente renderam os companheiros do finado, sem nem se preocuparem com o corpo que jazia e chamuscava logo à frente. Morto é morto, e os vivos é que têm que ser punidos. Tinham destruído um patrimônio do estado, e levado ao breu centenas de milhares de pessoas, causando prejuízo a empresas, entidades públicas e propriedades privadas. Apesar de não existirem registros fílmicos dos vândalos adentrando a estação, tinham sido pegos em flagrante, dificultando as chances de saírem inocentados. Kleber, Jorge e Frederico estavam estupefatos, petrificados diante da imagem de um Hideo irreconhecível. Logo ele, o autor de inúmeras peripécias, arauto do ufanismo ébrio, morto. Boa parte de suas histórias tinham início a partir das ideias do oriental, sempre descompromissadas, mas garantindo entretenimento durante toda a noite. A “sociedade destilada” estava desfeita. Havia, naquele momento, virado cinzas, assim como um de seus mais entusiasmados participantes. A incredulidade assolava aos rapazes de forma tão devastadora que nem perceberam a sua chegada à delegacia. Suas vidas haviam chegado ao fim. Hideo os fitava, impotente.
Termina aqui a primeira parte da Trilogia Ébria. Em breve, o segundo capítulo, dando um novo enfoque à narrativa. Aguardem.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
O fim do consumismo.
Você gostaria de andar, mas faziam anos que suas pernas rechonchudas não o erguiam mais, na verdade, fazia tanto tempo que você nem lembrava mais como era andar, muito menos correr; cada perna pesando 60Kg, e as veias entupidas de pus e gordura, seu corpo não passava de carcaça mantida viva apenas pelos cuidados alheios.
Você ouve murmúrios do lado de fora do quarto, e observa uma sombra chegando mais perto, e então no vão da porta você vê uma silhueta, irreconhecível a princípio, mas assim que o ser deu dois passos a frente você o reconheceu como Ronald Mcdonald, e nesse mesmo instante Ronald saca uma faca, você aperta o botão que por anos usou para chamar as enfermeiras para limpar sua bunda, já que você não a alcançava.
Ronald então sobe na sua cama, com um olhar calmo, como se isso fosse tarefa cotidiana, você se desespera, tenta berrar, mas apenas gemidos e grunhidos saem do tubo em sua boca, com os olhos arregalados de puro pavor você procura pelos seguranças na porta, eles estão lá, mas tudo que eles fazem é fechar a porta, tornando o quaro ainda mais escuro.
Você tenta se livrar do homem que está sobre você, mas suas pernas não obedecem, apenas a banha se meche como gelatina, você sente Ronald se aproximando, e tudo que você consegue fazer para salvar sua vida é chorar e balançar a cabeça, e então lentamente a faca entra em seu coração enquanto você respira cada vez mais rápida e brevemente, Ronald apromxima-se e apenas sussurra "Shhh, Shhhhh, Shhhh, já vai passar", e por falta de forças, sua respiração vai diminuido, até que som algum emane de seu corpo, e seu olhar fique vidrado em algum ponto no teto do quarto.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
"M" de "Fudeu!"
MUNDO MODERNO
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio - maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos... Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
Chico Anysio
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
O popular do brasileiro na Música Popular Brasileira
Meu amor meu amorE, quando a música segue com sua bela melodia, como todo aquele suingue natural de um samba-rockz dos bons, eis que ouço o verso da canção:
Me faz um cafezinho
Com aroma e com carinho
Uma infusão feita com a sementeEpa! O que é isso? É uma música ou uma propaganda? Um livro de história cortado em versos? Isso é uma letra?
Torrada e moída
Contém cafeína e proteína
Planta maravilhosa e
Originária da Etiópia
E abissínia Abissínia
Etiópia Etiópia
No caso desta simpática música, o que me restou foi perguntar: o que eu não compreendi, ou assimilei de forma errônea, para que eu possa legitimar este artefato textual enquanto arte? Talvez eu e você estejamos entorpecidos da sobriedade do cotidiano e por isso a poesia de uma música como esta, chamada "Café", não esteja totalmente aberta para devida fruição auditiva.
E enquanto todas estas indagações percorriam minha mente inriquieta, ouço o final da melodia, com o sacana do Jorge assobiando:
Quem vai querer? Quem vai querer?E fui terminando meu café da manhã, num misto de surpresa e horror.
Café.... café...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Ode à desordem
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Uma viagem do baralho - Parte I
Era o último dos dias de aulas noturnas naquela semana. A aura de expectativa pairava sobre dezenas de jovens mentes que adoram se auto-pronunciar "criativas". Tolos esperançosos, digo eu. O conteúdo acadêmico daquela sexta-feira marcante seria ignorado com louvor em prol de um bem maior: o clássico devaneio etílico disfarçado de capacitação profissional. Interesses em comum ocupariam o mesmo teto sob rodas dentro de alguns instantes. Publicitários ébrios e inconseqüentes fariam da BR-101 a sua festividade máxima daquele já finado semestre.
Pouco faltava para a partida do ônibus e os preparativos tinham que ser agilizados. Deslocamo-nos à drogaria mais próxima a fim de comprar a salvação de muitos boêmios descontrolados: o engov. Ao retornar, assentamo-nos em nossos lugares e observamos, de cima, casais apaixonados se despedindo, onde as partes que não embarcariam na cruzada clamavam por fidelidade. Partimos.
Ainda dentro dos limites geográficos de nossa cidade, abrimos garrafas do melhor vinho a cinco reais já criado, cultivado em campos largos na região sulina da nossa terra brasilis. Compartilhamos (ou tentamos compartilhar, não me recordo ao momento) alguns copos com algumas das donzelas simpatizantes que se encontravam próximas a nós. Degustamos e regozijamos com louvor o elixir sagrado de Baco, sentindo em poucos minutos o efeito inebriante como conseqüência. A ignição havia sido ativada, não havia mais retorno.
Conversas ainda comportadas, porém divertidas, eram a ordem no momento. Triálogos - e porque não quadriálogos ou pentálogos - sobre o injusto e falso mundo da publicidade e outros assuntos hoje dispensáveis fizeram a pauta por diversos minutos. Até que, uma parada em uma metrópole mudou totalmente o curso da viagem. Alguns dos viajantes carregavam em compartimentos secretos uma planta que fez parte de diversas civilizações antigas e proeminentes (não fosse a falácia física e brutal de colonizadores europeus). Hoje em dia, tal artifício para sair da realidade é marginalizado pela grande mídia, e até com um pouco de razão. O problema é que isso é mero interesse corporativo, mas não vem ao caso. Ao descermos do ônibus para saciar a nossa necessidade estomacal, tal iguaria foi consumida por diversos integrantes da expedição, resultando em insanidade instantânea.
Toneladas de tetraidrocanabinol haviam sido inaladas pelas jovens mentes de classe média. Risadas e momentos de descontração involuntários ocorriam simultaneamente com vários estudantes. O ônibus havia partido e todos lá estavam, aproveitando o máximo daquela ida inconseqüente. Rodas de improviso musical aconteciam, com ênfase no estilo afro-americano de rimas, e mesmo quem não detinha talento e experiência o suficiente para tal atividade participou com louvor. O tempo foi passando, porém não o efeito amortecedor das substâncias consumidas. Alguns dos usuários, por vezes, criavam momentos acidentais de discórdia, fazendo brincadeiras socialmente inaceitáveis para alguns dos viajantes, resultando em desavenças públicas e, como relatado, agressões físicas. É de conhecimento geral da trupe mochileira de que um dos indivíduos lesionou a testa de outrem devido a brincadeiras de cunho sexual. A brincadeira em questão não denotava intenções carnais, porém tal fato não foi compreendido pela vítima da peraltice. Professores se incubiram de apaziguar o ambiente e após alguns momentos tudo se demonstrava normalizado.
Aquele que proferiu brincadeiras sexuais acabou por exagerar na ingestão de bebidas alcoólicas, dando o popularmente chamado "PT". E não, amigos, não estamos falando do amado e odiado Partido dos Trabalhados, mas sim da "Perda total", onde alguém desaba em sua própria infelicidade física e despeja os resquícios nojentos de sua última janta no chão do ônibus em movimento. Porém aqui o problema era mais grave. O "perdido total" exauriu todo o conteúdo estomacal em sua própria indumentária, causando asco a todos os cidadãos de bem que circundavam o pobre rapaz. A noite havia acabado, pelo menos para ele.
Ao chegar a maior metrópole deste nosso estimado país, o "perdido" acordou com duas desagradáveis surpresas: além de perceber vômito fresco em sua única blusa, viu que o infeliz que o havia socado no meio da madrugada hibernava no acento ao seu lado. Não fosse o engov, o "perdido" chafurdaria em sua infeliz inconseqüência, porém graças à medicina milagrosa, ele saltitou vomitado e feliz em meio à sociedade estudantil publicitária de São Paulo, com as mais belas garotas o olhando e com professores reprovando tal atitude.
Era o início de um belíssimo final de semana.
Incubo o outro integrante deste blog a escrever a segunda parte desta viagem. Ou, quem sabe, um outro olhar sobre os acontecimentos acima.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Decisões
Faziam 6 anos que ele e Camila tiveram um filho, Hugo, em homenagem ao avô de Thiago, Hugo não fora previsto nem calculado, mas até o sexto mês o casal já amava o pequenino, e tinham certeza de que todos os problemas seriam resolvidos.
A primeira impressão Hugo nascera perfeito, porém os médicos constataram um doença cerebral incomum, que poderia causar disturbios psicológicos no futuro, e então desde os primeiros dias Hugo fora submetido a diversos tratamentos caríssimos, devido a raridade da doença, e traumaticos para a familia, pois os ataques era fulminates, com apenas 2 anos Hugo, enquanto afetado pelos ataques, hurrava feito um homem completo, ensandecido pela fúria e loucura, enquanto causava males a tudo e a todos que cruzavam seu caminho, Perry, o cachorro de Thiago, teve de ser sacrificado, pois sofria muito desde que Hugo, em um de seus ataques escalpelara partes do cão, deixando-o em carne viva.
Mas depois de anos de tratamento Hugo já era uma criança normal, e a isso Thiago agradecia a Deus todos os dias, e, depois de uma semana viajando a negócios, tudo que ele queria era voltar ao lar.
Hugo após terminar seu copo de leite com negresco anunciou:
- Mãe, quero fazer cocô.
Ao que Camila, com um olhar angelical disse:
- Vem.
Hugo, que sabia o que era bom da vida, recuou três passos e retrucou:
- Só se for na casa do pedrinho!
Camila, incrédula levantou a voz
- QUÊ? Tu vai fazer aonde der, não posso te levar na vizinha para fazer cocô!!
-Mas mãe só faço se for lá
-Então segura para sempre, porque no pedrinho cagar você não vai, e ponto final.
Hugo, revoltado arriou as calças e cagou ali mesmo, na sala de TV, em cima do tapete de pelos, decoração que Thiago mais amava, Camila não pensou duas vezes, e espancou Hugo aos brados:
- Quem você pensa que é pra decidir aonde cagar moleque? Tudo que é dos outros é melhor não é? Mas eu vou te ensinar a dar valor para as coisas da Família, você vai ver!!!
E não parou de bater, mesmo quando Hugo implorava, chorando e sangrando.
Só parou quando a mão de 6 anos de idade segurou o braço dela, e voz que veio de Hugo já não era mais afável.
"SUA PUTA ESCROTA, EU CAGO AONDE EU QUISER E QUANDO EU QUISER, VADIA DO CARALHO VOU COMER TEU CÚ ENQUANTO TU CHORA"
E pulou para cima da mãe, que desequilibrou-se e caiu, para glória de Hugo, que socava a mãe com gosto, e quando as mãos começaram a doer, começou a espremer os olhos da mãe para dentro do cranio, e Camila urrava de dor e desespero, pedindo ajuda de Deus, Cristo, Maria e José, mas nenhum deles veio, havia apenas a dor.
E o barulho ovos quebrando soou, quando os olhos de Camila finalmente cederam a força da pressão de Hugo, que saboreou o sangue que jorrou em seu rosto, a mãe estava inerte agora, e ele pegou suas fezes e esfregou no rosto da mulher no chão.
"cago onde quiser, vadia."
Thiago sorriu ao ver a esquina que tanto conhecia, ali era seu lar, e lá dentro encontraria sua família feliz.

